Colectiva

DANDY

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Autores participantes

Afonso Cruz (pt), Ana Torrie (pt), André Alves (pt), André Lemos (pt), Andrea Gomez (col), Bruno Pereira (pt), Carlos Pinheiro (pt), Craig Atkinson (uk), El-Ed (arg), Esgar Acelerado (pt), Filipe Abranches (pt), Francisco Eduardo (pt), Gémeo Luís (pt), Isabel Carvalho (por Cristiana Pinto e Patrícia Guerra) (pt), João Fazenda (pt), João Maio Pinto (pt), Jordi Ferreiro (es), José Feitor (pt), Júlio Dolbeth (pt), Leonor Zamith (pt), Luis Dourado (pt), Luis Urculo (es), Mafalda Santos (pt),  Marco Mendes (pt), Mário Vitória (pt), Marta Madureira (pt), Marta Monteiro (pt), Maxi Luchini (arg), Miguel Arias (usa), Miguel Carneiro (pt), Nuno Sousa (pt), Paulo Patrício (pt), Pedro Lino (pt), Pedro Lourenço (pt), Pedro Zamith (pt), Ricardo Abreu (pt), Rita Carvalho (pt), Rômolo (br), Rui Vitorino Santos (pt), Salão Coboi (pt), Sam Baron (fr), Serge Against Bourg (pt), Teresa Camara Pestana (pt), Tiago Albuquerque (pt)

Afonso Cruz

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Ana Torrie

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André Alves

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André Lemos

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Andrea Gomez

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Bruno Pereira

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Carlos Pinheiro

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Craig Atkinson

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Cristiana Pinto / Isabel Carvalho

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El-Ed

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Esgar Acelerado

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Filipe Abranches

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Francisco Eduardo

francisco

Gémeo Luís

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João Fazenda

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João Maio Pinto

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Jordi Ferreiro

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José Feitor

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Júlio Dolbeth

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Leonor Zamith

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Luis Dourado

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Luis Urculo

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Mafalda Santos

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Marco Mendes

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Mário Vitória

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Marta Madureira

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Marta Monteiro

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Maxi Luchini

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Miguel Arias

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Miguel Carneiro

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Nuno Sousa

nuno

Patrícia Guerra /Isabel Carvalho

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Paulo Patrício

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Pedro Lino

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Pedro Lourenço

pedro

Pedro Zamith

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Ricardo Abreu

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Rita Carvalho

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Rômolo

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Rui Vitorino Santos

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Salão Coboi

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Sam Baron

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Serge Against Bourg

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Teresa Camara Pestana

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Tiago Albuquerque

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Sobre a exposição
Já não se fala muito do Dandy: a palavra sugere outros tempos, implicando que passou de moda – um paradoxo, sem dúvida (como pode um Dandy passar de moda?) –, mas talvez se possa concluir o oposto: que o Dandy venceu e que, na nossa sociedade, toda a gente é, ou aspira a ser, um.  No entanto, isso também não é bem verdade: para se ser um Dandy, não basta uma preocupação por roupas, pelo corpo ou por cremes para a cara; um Dandy não é um metrossexual. Aquilo que distingue um do outro é o que separa um vulgar arruaceiro de um artista marcial: uma certa elegância espiritual, uma certa postura intelectual. O Dandy tem uma filosofia, uma política, embora raramente o reconheça e muitas vezes o negue.

É costume ouvir-se nas notícias que fulano de tal – apesar de ter roubado a empresa, enganado os clientes, acumulado conflitos de interesse, traído a mulher, fugido para o estrangeiro – lá bem no fundo até é boa pessoa. É a mesma coisa que dizer que não se deve julgar as pessoas pelas aparências. Mas quando é que uma coisa deixa de ser uma aparência e passa a ser verdade – e não serão as aparências, na sua variedade, outras tantas verdades? Oscar Wilde dizia que só as pessoas superficiais não julgavam pelas aparências, acrescentando que o mistério do mundo reside nas no que é aparente e não no que é essencial. O Dandy é alguém que julga o mundo pelas aparências. O aspecto do Dandy é o símbolo da sua mobilidade social; não interessa onde nasceu, não interessa quanto dinheiro tem; apenas aquilo que parece. É esta a politica transgressora do Dandy.

Espiritualmente, o Dandy usa o discurso da mesma maneira que se veste: não conta anedotas – que no fundo são apenas fórmulas genéricas, historietas pronto-a-vestir – mas reage em segundos a qualquer situação, resumindo-a num aforismo, desmontando-a num aparte. Socialmente, aterra sempre de pé, e tal como um gato, antes mesmo de chegar ao chão já recompôs a sua postura entediada. Adapta-se a qualquer ocasião, superando-a, tornando-a enfadonha por comparação a si mesmo. O objectivo do Dandy é, de certo modo, o seu próprio tédio. Surpreende, nunca se surpreendendo.
MÁRIO MOURA (texto da exposição)