Francisco Eduardo

TOURNÉE

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Pela estrada fora com Francisco Eduardo

Tournée é um projecto de Francisco Eduardo que integra diversos componentes: o artista assume a posição
de autor das obras em simultâneo com a de comissário da exposição dos trabalhos e a de director conceptual/co-produtor de um projecto expositivo; para desenvolver Tournée Francisco Eduardo colabora com José Maia, Sérgio Couto, Samuel Silva e Fátima Séneca, assumindo e tornando óbvio que o processo de trabalho se alimenta e se expressa através de diálogos que circulam numa equipa; o projecto é performativo porque será anunciado através de um cartaz único que o autor irá expôr conforme se movimenta quotidianamente 1, numa apresentação pública que será completada e retomada na imprensa, em conversas, e na visita guiada que ocorrerá em cada exposição; os trabalhos, de Desenho, vão ser mostrados em diversos espaços com características muito díspares, numa itinerância nacional que se estima durar um ano e meio e que terá início no Porto, na Galeria Dama Aflita, a 18 de Abril de 2009; cada exposição é única, adequando-se inevitavelmente a cada contexto particular de mostra – espaço, atmosfera, público – e renovando-se constantemente, atendendo a que os trabalhos vendidos vão sendo gradualmente substituídos; os desenhos podem ser compreendidos como “originais de cópias” porque Francisco Eduardo realiza à mão desenhos de cartazes que lhe interessam, nivelando com essa apropriação o que se considera mais ou menos único, seriado, original, copiado, falsificado, múltiplo, sucedâneo, descartável, efémero, transiente, publicitário, do entretenimento, lúdico, ocioso, informativo, popular, artístico ou coleccionável; a execução morosa, minuciosa, rigorosa e disciplinada dos trabalhos recupera aspectos do Desenho que podem ser considerados pouco expressivos por inorgânicos; Francisco Eduardo investiga o pensamento da arte quando resolve “desenhar em Inglês”, concordando que tanto as decisões formais como a reflexão crítica oscilam em torno de palavras e transcendem a imagem; e finalmente, o artista recria uma situação de mecenato mas inverte a sua posição habitual, decidindo que Tournée vai apoiar os CTT-Correios Portugueses, em vez de concorrer para que esse organismo subsidie o projecto.

1 À semelhança do que Mário Cesariny, acompanhado de Alexandre O’Neil, terá feito quando às 11 da noite passeou a tela “O Operário” pela Avenida da Liberdade em Lisboa em 1947, numa exposição itinerante. Parece ainda interessante notar que Cesariny, entre 1953-58, esteve sob liberdade vigiada pela Polícia Judiciária lisboeta por ser suspeito de vagabundagem.

Fátima Séneca